domingo, 10 de maio de 2015

Bem-aventurados como Simão Barjonas

AJ

“ Indo Jesus para os lados de Cesaréia de Filipe, perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o filho do homem? E eles responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias, ou algum dos profetas. Mas vós, continuou ele, quem dizeis que sou eu?  Respondeu Simão Pedro: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foram carne e sangue quem to revelaram, mas meu Pai que está nos céus.” Mateus 16-13-17 

A bíblia aqui nos relata um dos momentos mais lindos da historia humana, quando Jesus em uma região idólatra e pagã leva seus discípulos para uma conversa sobre a repercussão de seu ministério. E, Deus então exalta seu Filho, através da confissão de Pedro, para mostrar ao mundo que havia somente um Deus, e Um caminho.

Os milagres que Jesus realizava se tornavam cada vez mais conhecidos por toda Israel e regiões. Jesus tinha caído nas graças do povo e alcançado certa fama “E a sua fama correu por toda a Síria, e traziam-lhe todos os que padeciam, acometidos de várias enfermidades e tormentos, os endemoninhados, os lunáticos, e os paralíticos, e ele os curava. E seguia-o uma grande multidão da Galileia, de Decápolis, de Jerusalém, da Judeia, e de além do Jordão.” Mateus 4:24-25, e multidões o seguiam por vários motivos. Por isso essas multidões comentavam seus feitos e muitas das vezes o comparavam com Elias, Jeremias, com João Batista ou algum profeta.

E é este contexto que quero destacar: Jesus deixando de lado a conversa sobre os rumores da opinião popular a seu próprio respeito, e assumindo um tom pessoal. Aquele momento em que Ele nos tira da multidão e fixa o olhar em nossos olhos como fez com aqueles homens (seus discípulos) e pergunta: “Mas vós... quem diz que eu sou?” É muito fácil respondermos o que os outros “dizem” a respeito de Jesus. Oque nossos pais, pastores e irmãos dizem sobre Ele, e no qual muitas vezes, apenas repetimos. Mas, e para cada um de nós, em nosso íntimo, podemos responder com convicção quem é Jesus?

Por isso destacaremos três lições básicas neste texto:

1) Quem era Jesus para as multidões que o seguiam e qual a relação com a Igreja Moderna?

2) Quem realmente é o Cristo, o Filho do Deus vivo? E quem o revela e testifica para nós?

3) Quem pode ser chamado de bem-aventurado?


E a conclusão, se realmente podemos crer que somos bem-aventurados conforme Jesus afirma a Simão Barjonas, nos servirá de caminho para respondermos esta pergunta tão pessoal que o Senhor nos faz hoje: Quem diz que sou?

1) Quem era Jesus para as multidões que o seguiam e qual a relação com a Igreja Moderna?

Conforme falei acima Jesus em seu ministério público fez muitos milagres e sinais. Tantos que João destaca em seu evangelho: João 21:25 “Muitas outras coisas há que fez Jesus; se elas fossem escritas uma por uma, suponho que nem no mundo inteiro caberiam os livros que se escrevessem.” Jesus tinha se tornado notório. Tanto que chamou a atenção não somente dos principais do templo e das multidões, mas inclusive do maior império da época, o romano.

E as multidões o seguiam por vários motivos: Uns buscando curas (físicas e espirituais), outros pelos milagres que Ele fazia, muitos por causa da comida (pela multiplicação), outros queriam proclama-lo rei politico para libertar Israel, já os fariseus que procuravam sempre acusa-lo, o seguiam para achar dolo Nele e assim o mata-Lo por que tinham inveja, e ainda havia aqueles que seguiam por simples curiosidade.


Ele, ao desembarcar, viu uma grande multidão, compadeceu-se dela e curou os seus enfermos. Mateus 14:14

Aproximando-se um leproso, adorava-o, dizendo: Senhor, se quiseres, bem podes tornar-me limpo. Jesus, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero; fica limpo. No mesmo instante ficou limpa a sua lepra. Mateus 8:2-3

Tendo mandado à multidão que se assentasse sobre a relva, tomou os cinco pães e os dois peixes e, erguendo os olhos ao céu, deu graças e, partindo os pães, entregou-os aos discípulos, e os discípulos entregaram-nos à multidão. Mateus 14:19

Percebendo Jesus que eles estavam para vir e levá-lo à força, a fim de constituí-lo rei, retirou-se novamente para o monte, ele só. João 6:15

Pois sabia que por inveja lho tinham entregado. Mateus 27:18

Uma grande multidão seguia-o, porque viram os milagres que operava, nos que se achavam enfermos. João 6:2

Em nossos dias podemos dizer que a historia se repete. Muitas pessoas hoje vão às igrejas buscando pastores e igrejas milagreiras, ou porque gostam do louvor, ou por que precisam de um milagre, e muitas vezes pela curiosidade. Esses grupos de pessoas são muito inconstantes, sazonais, e não permanecem em uma comunidade cristã por muito tempo.

Há dois mil anos a multidão seguia Jesus, por “n” interesses, e Jesus sabia disso.

“Ora, estando ele em Jerusalém pela festa da páscoa, muitos, vendo os sinais que fazia, creram no seu nome. Mas o próprio Jesus não confiava a eles, porque os conhecia a todos” (Jo 2. 23-24 ).


Jesus não era “bobo”. Ele sabia bem que o crer daquelas pessoas era interesseiro, baseado na barganha, na troca. Aquelas multidões não eram verdadeiros discípulos. E Jesus sabendo disso não se calou diante das multidões, pelo contrário Ele confrontava a sinceridade deles.

“Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que me buscais, não porque vistes sinais, mas porque comestes do pão e vos saciastes.” (Jo 6. 26).


A multidão lhe respondia ousadamente:

“Perguntaram-lhe, então: Que sinal, pois, fazes tu, para que o vejamos e te creiamos? Que operas tu?” (Jo 6. 30). A atitude da multidão evidenciava o que havia em seu coração: “Por causa disso (das palavras duras de Jesus) muitos dos seus discípulos voltaram para trás e não andaram mais com ele.” (Jo 6. 66).


Mas Jesus não estava preocupado com sua popularidade, ou em ser uma estrela gospel da época que arrastava multidões. Não! Apesar de Jesus se compadecer das multidões: Vendo ele as turbas, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas sem pastor. Mateus 9:36 Jesus buscava fé no meio do seu povo. Discípulos dispostos a seguirem-no, mesmo sem terem visto algum grande “milagre” (ressalva: apesar de que o maior Milagre já estava diante de todos).

Jesus sabia bem o que a multidão pensava Dele e quais interesses seus corações estavam motivados. Jesus busca a fé sincera e a qual agrada o coração de Deus.


Quando Jesus chama Pedro, João, Tiago e André, nenhum milagre foi feito, nenhum sinal extraordinário foi mostrado a eles. Eles responderam apenas ao chamado do Senhor: “Disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens. Eles, pois, deixando imediatamente as redes, o seguiram.” (Mt 4.19-20). Deixaram tudo e seguiram a Jesus num caminho que os levou a perseguições e a morte. Por isso Jesus chama seus discípulos à parte e pergunta: “Quem eu sou pra vocês”. Ele queria que os discípulos confessassem a Verdade que só o Pai pode nos revelar.


2) Quem realmente é o Cristo, o Filho do Deus vivo. E quem o revela e testifica para nós?



João no começo do seu evangelho define quem e Jesus:

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

Ele estava no princípio com Deus. Tudo foi feito por ele; e nada do que tem sido feito, foi feito sem ele. João 1:1-3


O Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai. João 1:14

Isaías setecentos anos antes da vinda do Senhor profetizou:

Porque a nós nos é nascido um menino, e a nós nos é dado um filho: o governo está sobre os seus ombros, e ele tem por nome Maravilhoso, Conselheiro, Poderoso Deus, Eterno Pai, Príncipe da Paz. Isaías 9:6


O apostolo Paulo em uma de suas cartas faz uma das mais lindas declarações sobre quem e Jesus:

... e que é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação. Pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, quer sejam tronos quer dominações quer principados quer potestades; todas as coisas têm sido criadas por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas e nele subsistem todas as coisas, Colossenses 1:15-17


Poderíamos discorrer por horas e horas sobre a pessoa, divindade e a majestade de Jesus Cristo. Mas pra isso precisaríamos de muitos e muitos sermões, e mesmo assim eles jamais seriam suficientes. Mas podemos resumir brevemente: Jesus é Deus.

Quando o representante da raça humana Adão peca contra o Deus Santo através da desobediência, e surge o abismo (chamado pecado) que agora separa Deus dos homens, Jesus a Segunda Pessoa da Trindade, Aquele que estava junto com o Pai e o Espirito Santo antes que todas as coisas viessem a existir, levante-se do seu Trono de Gloria e conforme Paulo diz em Filipenses: esvazia-se de toda a Sua gloria (de si mesmo), tomando a forma de servo, feito semelhante aos homens; e sendo reconhecido como homem, humilhou-se, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. Filipenses 2:7-8

Mas por que Deus, Todo Poderoso, Aquele que criou todas as coisas, que fez todas elas do nada, no poder de Sua Palavra as criou “Faça-se”, por que esse Deus esvaziar-se-ia de Sua Gloria e assemelhar-se-ia a nos pecadores? Então entendemos a resposta deste questionamento quando lemos o que Joao escreveu: Porque Deus amou ao mundo de tal maneira, que deu seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3:16

Isaías nos diz: Verdadeiramente foi ele quem tomou sobre si as nossas enfermidades, e carregou com as nossas dores; e nós o reputávamos como aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, esmagado por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos devia trazer a paz,caiu sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos nós sarados. Isaías 53:4-5

A ira santa de Deus, o castigo que todos os homens merecem receber, recaiu sobre Jesus. Deus desviou sua ira de nós para despeja-la sobre Seu Filho, seu único Filho. Deus poupou o filho de Abraão, Isaac quando providenciou um cordeiro para o sacrifício, mas Ele não poupou seu próprio Filho, por amor a nos. Deus toma o cutelo das mãos de Abraão e sacrifica Seu Filho Amado em quem tem prazer.

Jesus homem nunca pecou por isso Ele é o Sacrifício Perfeito, Cordeiro sem manchas. Sendo Ele Santo, se fez maldito por nós, e carregou os nossos pecados no madeiro. Ele é o único que poderia executar a obra salvífica do Pai. Ele é o único habilitado a SER a propiciação pelos nossos pecados. Ele é o único que liga Deus aos homens. O único Sangue Puro derramado, que nos limpa de todos os pecados.


O nome de Jesus Cristo já nos fala Quem Ele é. Jesus uma tradução do nome Josué – Aquele que Salva, Salvador. Cristo – O Ungido, ungido para o que? Para uma missão muito especifica.

Hoje a grande maioria dos evangélicos não sabe responder a uma simples pergunta que é a base fundamental de nossa fé: “Jesus veio para te salvar do que?” – Dele mesmo! Da Ira de Deus que vem sobre todos aqueles que não fazem parte do seu rebanho. “beberá este também do vinho da ira de Deus, que está preparado, sem mistura, no cálice da sua cólera, e será atormentado em fogo e em enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro. Apocalipse 14:10


E esperar dos céus o seu Filho, a quem ressuscitou dentre os mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura. 1 Tessalonicenses 1:10

Ele e o cordeiro imolado anunciado por João Batista, para remissão dos pecados. O Único Sacrifício Pleno. Ele é a Salvação. Ele e o Autor e Consumador da Vida. Ele e a Paz Eterna. Ele é O Único Caminho, A Única Verdade, E a Única Vida!

Um sermão maravilhoso que descreve quem um pouco sobre quem é Jesus (Meu Rei nasceu Rei) de um pastor de San Diego, na Califórnia, chamado Lockeridge, pregado na cidade de Detroit no ano de 1976, diz assim: “Sua luz é incomparável. Sua bondade é ilimitada. Sua misericórdia é eterna. Seu amor nunca muda. Sua Palavra é suficiente. Sua graça é suficiente. Seu reinado é justo. Seu jugo é suave e Seu fardo é leve. Eu gostaria de poder descrevê-lo para você. . . mas Ele é indescritível. Esse é o meu rei. Ele é incompreensível, Ele é invencível, e Ele é irresistível.”

A própria morte quis prende-Lo, mas não conseguiu. Jesus é invencível. Deus Glorioso! Ele está hoje sentado à destra de Deus Pai Todo Poderoso, onde rege as nações com seu cetro de ferro, e intercedendo por nós. O Cavaleiro do Cavalo Branco que julga e peleja com justiça, foi exaltado pelo Pai acima de todos os nomes, e todas as coisas sejam visíveis ou invisíveis estão debaixo de Sua Autoridade.

Daniel profetizou sobre Ele e seu reinado:


“No entanto, na época do governo desses reis, Elah, o Deus dos céus, estabelecerá um novo reino que nunca será destruído e que também não será dominado por nenhum outro povo. A soberania desse reino jamais será transferida a nenhum outro povo. Todavia, esse novo reino destruirá e exterminará todos esses outros reinos, e subsistirá para todo o sempre”. Daniel 2:44


“E foi-lhe outorgada toda a autoridade, glória e posse do Reino, para que todos os povos, nações e línguas o adorem e o sirvam; o seu domínio é domínio eterno, que jamais ter fim; e o seu Reino jamais será destruído” Daniel 7:14,27

João em seu último livro explica que os céus proclamam Sua Gloria e Seu Reino:

“Então, o sétimo anjo fez soar sua trombeta e aconteceram no céu fortes vozes que proclamavam: “O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo e Ele reinará pelos séculos dos séculos”!” Apocalipse 11:15

E Deus Pai revela essas verdades ditas sobre Cristo ao coração de Pedro e dos apóstolos. E Jesus afirma: que “bem-aventurado es.”

Deus revela estas verdades apenas para seu povo, ao qual o Cristo comprou para si. Nação Santa e sacerdócio real.


Jesus também nos deixa claro nesta passagem que Quem revela esta Verdade não é carne e nem sangue, mas o Pai que esta nos céus.


Hoje, o que vemos por ai nas igrejas modernas, na grande maioria das vezes não são revelações da parte de Deus, por que não testificam o sacrifício substitutivo e nem a promessa da ressurreição. Não glorificam e nem exaltam ao Nosso Senhor Jesus Cristo! No máximo o equiparam a um gênio da lâmpada, que quando o buscam é somente pelos “desejos” a serem realizados. Não ensinam o que é o verdadeiro Evangelho. Não incentivam os crentes a buscarem conhecimento. Aliás, como um verdadeiro crente pode se professar assim se desconhece seu Senhor. Hoje temos uma geração de analfabetos em bíblia. Pessoas que só abrem suas bíblias quando vão as igrejas aos domingos. Estamos nos tornando religiosos nominais como os católicos romanos.

Jesus deixa claro esse principio de que toda revelação só pode vir de Deus, do Espirito Santo que sela a vida dos verdadeiros crentes e testifica estas verdades em nossos corações. E esta revelação só é feita através de uma única maneira: as Sagradas Escrituras – Jesus mesmo diz: Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam; João 5:39. Toda revelação que não esta baseada ou sujeita na Palavra de Deus, não são revelações de Deus para Sua Igreja, como diz Paulo: são anátemas e devem ser rejeitadas.


3)  Quem pode ser chamado de bem aventurado?


Jesus afirma a Simão Barjonas que bem-aventurado era por Deus ter revelado a ele, um simples pescador que Jesus era o Cristo, o Filho do Deus Vivo. Verdades tão profundas foram reveladas para homens simples. Deus usa as coisas loucas do mundo para confundir as que não são. Cientistas catedráticos não conseguem reconhecer a Glória do Filho. Por quê? Por que Deus não revelou a eles. Assim como hoje Deus não revela estas verdades em muitos ajuntamentos que se denominam igreja.

Deus chama seus filhos eleitos de bem-aventurados em toda a Escritura. Todo verdadeiro cristão é bem-aventurado. Mas esta condição está intrínseca em princípios que Deus estabeleceu em suas leis e no qual estão gravadas não mais em tábuas de pedras, mas em nossos corações, conforme Jeremias revelou. E essa condição podemos ver descrita ate na lei da física.


Isaac Newton, grande físico que desenvolveu a Terceira Lei, conhecida como ação e reação, explica: “Sempre que dois corpos quaisquer A e B interagem, as forças exercidas são mútuas. Tanto A exerce força em B, como B exerce força em A” Neste caso não estamos falando que Deus age no homem e o homem em Deus, mas que Deus age no homem o vivificando e regenerando através de seu Espirito Santo, e o homem vivificado reage glorificando a Deus através do fruto diário de sua conversão: Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas. Efésios 2:10.

Sabemos que não são as obras que nos salvam. Não fomos salvos pelas obras, mas salvos para as boas obras. Como diz o pastor presbiteriano Hernandes Dias Lopes em um de seus sermões: “A fé e as obras caminham juntas. Somos salvos pela fé, para as obras. Não cooperamos com Deus na nossa salvação. Recebemo-la gratuitamente. Somos salvos por Cristo mediante a fé para a prática das boas obras. As obras não são a causa da nossa salvação, mas a evidência dela.”

Quando estudamos o sermão do Monte (Mateus 5-7), ou quando lemos nas Escrituras a palavra, bem-aventurado, imediatamente sabemos que não estamos nos referindo a um simples estado emocional representado pela palavra feliz. Mas esta palavra tem um significado muito maior, representa um bem estar espiritual baseado na aprovação de Deus, nos antecipando a um destino mais feliz (Sl 1).

O bem-aventurado é aquele que e objeto do favor e da graça especiais de Deus. Aquele cujo Salmo 1 diz que é reto para com a Lei de Deus. Que amam sua Lei e nela meditam de dia e de noite. Como arvores plantada junto ao ribeiro se alimentam Dele, nutrindo seus galhos e ramos e resplandecendo a beleza pura de Seu Criador. E no tempo certo dão o seu fruto e sua folhagem jamais murcha.

São obedientes a aliança que possuem com Seu Senhor. Amam Seu Deus de todo seu coração e de todo seu entendimento e sobre todas as coisas. Submetem-se ao seu Senhorio, pois Jesus não é apenas seu Salvador, mas é Seu Senhor. E Senhor significa Dono, Proprietário. Senhor que reina em nossas vidas, que tem autoridade sobre elas. Não somos mais nós que vivemos, mas Cristo vive em nós. Somos servos, conforme Paulo descreve em todas as suas cartas. Por isso, somos condicionados a fazer somente a Sua Vontade. E somente depois que Pedro confessa que Jesus é o Cristo, Salvador, o Filho de Deus, Jesus afirma que Pedro era bem aventurado. Ou seja, o Pai revelou a Verdade Reconciliadora no coração de Pedro, e ele reage a Esta Verdade, refletindo a percepção de que Jesus era o esperado Messias profetizado no Antigo Testamento. Ele crê. Ele tem fé. Ele é um discípulo e não somente mais um em meio a multidão.

Conclusão:


O bem-aventurado não nega o seu Senhor. E se preciso for morremos por Ele e por esta verdade, como vemos na historia da Igreja Primitiva, como vemos ainda nos dias de hoje com a Igreja perseguida.

O bem-aventurado pode ate cair, tropeçar durante sua caminhada peregrina, pois somos peregrinos neste mundo. Mas o bem-aventurado se arrepende profundamente e volta (como o filho pródigo) para os braços do Pai que o acolhe com alegria e amor.

O coração do bem aventurado não busca seus próprios interesses, pois ele vive o Amor. O verdadeiro Amor que está em Cristo Jesus. Ele busca o reino de Deus e sua justiça primeiramente.

O bem-aventurado toma sua cruz e segue o Bom Pastor, sepultando todos os dias o velho homem.

O bem aventurado tem apenas uma ambição: Estar um dia assentado a mesa do banquete nas bodas do Cordeiro. Conhecendo, não plenamente, pois e impossível, mas compartilhando da presença plena de Deus através de Seu Filho.

E por fim, compreendemos que bem-aventurado requer de nos uma vida crista de obediência, retidão e santidade. Afinal, sem Santidade ninguém vera a Deus.

Um futuro glorioso espera por aqueles que perseverarem ate o fim: “Muito bem, servo bom e fiel... entra no gozo do teu Senhor” Mateus 24:13

Podemos hoje, responder a pergunta que Jesus nos faz, sobre quem é ELE em nossas vidas?

Oremos para que Deus também nos revele com a mesma certeza e convicção quem é Jesus Cristo para cada um de nós, e para a igreja moderna.

Amém.


Soli Deo Gloria!

OJ

Originalmente Publicado em 21/03/2015 -  http://qumlevantarse.blogspot.com.br/2015/03/bem-aventurados-como-simao-barjonas.html

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Liberalismo Teológico e Santificação - Augustus Nicodemus




Acredito que uma das maiores vulnerabilidades do liberalismo teológico é exatamente na área de santificação. Um liberal consistente terá problemas sérios para viver uma vida santa, pois os princípios operantes do liberalismo tendem a relegar a santificação a um papel secundário na vida cristã.
Embora o liberalismo teológico seja um momento considerado como ultrapassado na Europa e Estados Unidos, ele ainda exerce, contudo, uma grande influência em setores significativos do protestantismo mundial. Aqui no Brasil, ainda encontramos esta influência de forma marcante.
Acredito que as seguintes características da santificação bíblica precisam ser destacadas diante do liberalismo teológico.

1. A santidade é visível aos olhos humanos – Ela não acontece nas regiões celestiais apenas, no âmbito das relações invisíveis entre os crentes e Deus. Se por um lado já fomos santificados e glorificados em Cristo nas regiões celestiais – coisa que não podemos sentir nem ver – somos exortados a nos santificar diariamente pela mortificação da natureza pecaminosa e pelo revestimento das virtudes cristãs (cf. Colossenses 3.1-6). O liberalismo teológico tem a tendência de colocar como transcendentes as manifestações práticas e visíveis da operação da graça de Deus no ser humano, interpretando conversão e santificação em termos psicológicos, apenas. Talvez seja por esse motivo que os liberais consideram como sem importância fazer sexo antes do casamento, separar-se e casar de novo mais de uma vez, e usar palavrões e linguagem chula. Eles acabam esvaziando de sentido as declarações bíblicas sobre a necessidade diária e prática de uma vida separada do pecado e apegada aos valores cristãos.

2. A santidade é experimental – com isso quero dizer que podemos experimentá-la. Podemos viver, sentir e experimentar a vitória sobre as tentações interiores e exteriores. Sentimos e experimentamos grande gozo, alegria e deleite nas coisas de Deus. Acredito que reações físicas como tremer, chorar, emocionar-se, são perfeitamente válidas, se são resultado da pregação da Palavra de Deus na mente e no coração. Liberais tendem a considerar toda manifestação religiosa emocional como pentecostalismo, esquecidos de que a tradição reformada à qual dizem pertencer reconhece que a ação graciosa do Espírito na santificação por vezes produz efeitos profundos em nossa estrutura emocional. Eu sou contra emocionalismo e a manipulação e exploração das emoções. Mas, já chorei de alegria diante de Deus ao meditar na sua graça, já solucei amargamente, prostrado, por causa dos meus pecados, já senti uma paz que ultrapassa qualquer descrição ao enfrentar grandes tentações. O processo de santificação inevitavelmente passa pelas emoções – não é somente uma coisa da mente. E isso não é pietismo e nem pentecostalismo, como geralmente os liberais pensam.

3. A santidade precisa da prática devocional – Eu ainda acredito, depois de todos esses anos de crente, de pastor e professor de interpretação bíblica, que a leitura bíblica diária, junto com meditação e oração a Deus, são meios indispensáveis para nos santificarmos (Salmo 1). Não sei como muitos conseguem passar dias e dias sem ler a Palavra de Deus, sem meditar nela e buscar a Deus em oração. Quando por algum motivo deixo de fazer minhas devoções diárias, sinto o velho Adão fortalecer-se dentro em mim. Perco a alegria e o deleite na oração. Meu coração começa a se endurecer, meus sentidos espirituais começam a se embotar. O pecado deixa de ser odioso e começa a ser mais atraente. Eu nunca havia entendido até alguns anos passados por que liberais adotam uma ordem de culto extremamente litúrgica. Hoje, penso que descobri. Se não temos prática devocional e se tiramos o poder prático do Evangelho em nossas vidas, temos de transferir a dinâmica da santificação para outra esfera – e no caso, um culto extremamente formal e litúrgico. Não sou contra um culto litúrgico. Sou contra o “liturgismo” que aparece como substituto de uma vida devocional diária e do processo de santificação.

4. A santificação pressupõe que Deus fez e faz milagres neste mundo – A santificação bíblica pressupõe a realidade de três milagres. Primeiro, a vitória de Jesus sobre o pecado e a morte, mediante sua ressurreição física, literal e histórica de entre os mortos. É somente mediante nossa união com o Cristo ressurreto e exaltado que temos o poder para vencer o pecado em nós. Segundo, a operação do Espírito regenerando o pecador, dando-lhe uma nova natureza e implantando nele o princípio da nova vida em Cristo. Sem regeneração, não pode haver santificação. A velha natureza pecaminosa não pode santificar-se. É preciso uma nova natureza e somente um ato miraculoso, criador, de Deus a implanta no pecador. Terceiro, a ação da Providência de Deus, que diariamente impede que sejamos tentados mais do que podemos resistir, subjugando Satanás, subjugando nossas paixões e nos mantendo no caminho da santidade. O liberalismo teológico tende a lançar todos os atos miraculosos de Deus para a “heilsgeschichte”, um nível de existência que eles inventaram, que é fora desse mundo. Portanto, quem realmente não crê na ação miraculosa de Deus na historie, no mundo real, não conhece o que é a regeneração, a união mística com Cristo e a vitória diária sobre o pecado.

5. A santificação precisa de referenciais morais objetivos e fixos – sem eles, a santificação descamba para o misticismo, pragmatismo, e paganismo. O referencial seguro do caminho da santidade é a Palavra de Deus, nossa única regra de fé e prática. Ela é lâmpada para meus pés e luz para meus caminhos (Salmo 119.105). O liberalismo teológico vê a Bíblia, não como a Palavra de Deus, mas como o testemunho humano escrito e falível a essa revelação. Para eles, Deus só fala pela Bíblia num encontro existencial, cujo conteúdo será determinado pela minha necessidade naquele momento. Fica difícil dizer não ao pecado, mortificar as paixões, rejeitar as tentações, buscar a verdade, a pureza e a justiça quando não temos certeza que essas coisas são certas e que são a vontade de Deus para nós a todo momento. Uma Bíblia falível, muda, cheia de erros, é um guia inseguro e não-confiável na senda do Calvário.

“Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12.14).

Augustus Nicodemus Lopes 03/05/14 - Fonte Original

domingo, 13 de abril de 2014

Como o Inferno Glorifica a Deus? - James M. Hamilton Jr.


Para entendermos a maneira como o inferno glorifica a Deus, precisamos ver o inferno à luz da grande história da Bíblia, do seu ponto de vista e da sua caracterização de Deus e do homem.

A Grande História da Bíblia:

A história da Bíblia, como todas as histórias, tem um começo, um meio e um fim.

O começo
Deus cria um lugar perfeito e coloca nele um homem e uma mulher inocentes. Deus estabelece os termos e afirma, com clareza, a consequência de transgredirem seus termos. Um inimigo mente para a mulher inocente. Ela acredita na mentira, quebra os termos de Deus, e o homem a acompanha no pecado. Deus amaldiçoa o inimigo e dá início às consequências da transgressão, amaldiçoando também a terra. Na maldição lançada sobre o inimigo, Deus afirma que o descendente da mulher ferirá a cabeça do inimigo, enquanto o inimigo ferirá o calcanhar do descendente. O homem e a mulher são banidos do lugar perfeito.

Meio
A humanidade foi dividida em dois grupos: a descendência da mulher e a descendência da serpente, os justos e os ímpios. Os descendentes da mulher são inicialmente um subconjunto da nação de Israel, uma linhagem de descendentes que Deus escolheu abençoar. Eles experimentam um refazer do começo da história. Deus os coloca em uma terra prometida e estabelece os termos. Eles quebram os termos e são banidos dessa terra, mas Deus continua a prometer que o inimigo será derrotado, ainda que isso tenha que acontecer por meio de um doloroso derramamento de sangue do descendente da mulher.
Então, Jesus vem como o descendente prometido da mulher. Ele esmaga a cabeça do inimigo, e o inimigo fere o seu calcanhar – Jesus morre na cruz. Por ser ele inocente e haver resistido a todas as tentações, a morte não pode retê-lo. Jesus vence triunfantemente a morte, satisfazendo a justiça de Deus contra o pecado e abrindo o caminho de salvação para todos os que crerão nele.

Fim
A criação será como uma mulher que sofre dores em trabalho de parto: os ímpios atacarão perversamente os justos, que confiam em Deus e dão testemunho da verdade de Deus, até serem mortos. Isto continuará até que Jesus venha de novo. Quando Jesus vier de novo, julgará os ímpios e os enviará à punição eterna. Ele levará aqueles que creram na Palavra de Deus e no testemunho de Jesus para um novo lugar perfeito.

A Bíblia nos Dá o Ponto de Vista de Deus...
Esta história não é simplesmente uma história; ela apresenta o ponto de vista de Deus sobre o mundo. Pense comigo no ponto de vista da Bíblia, a perspectiva dos autores bíblicos.
O ponto de vista deles é que Deus estabelece os termos e que Deus sempre está certo. Aqueles que rejeitam os termos de Deus estão errados e enfrentam as consequências que Deus afirmou quando estabeleceu os termos. Além disso, a Bíblia não somente representa o ponto de vista dos autores bíblicos, mas também reivindica falar por Deus. Ou seja, a Bíblia reivindica apresentar o ponto de vista de Deus sobre o assunto.
...Sobre Deus, o Homem e o Nosso Estado Diante de Deus
Como são apresentados os personagens na Bíblia? Eles são apresentados principalmente por suas palavras e ações, mas a Bíblia também avalia seus personagens. Pensemos brevemente como a Bíblia caracteriza Deus, os homens e Jesus.
A Bíblia ensina que Deus sempre faz e diz o que é correto. Ele sempre cumpre a sua Palavra. Nada pode frustrar o seu propósito. Deus é livre e bom. A Bíblia sempre justifica a Deus. Ou seja, a Bíblia sempre mostra que Deus é justo. Paradoxalmente, a Bíblia também mostra que Deus é misericordioso.
Por outro lado, todos os homens fazem e dizem o que é errado, o que revela falta de confiança em Deus. Por palavras e atos, os humanos transgridem os mandamentos de Deus. Os homens corromperam a boa criação de Deus, perverteram seus ótimos dons e, de toda maneira, têm atacado a Deus, que lhes dá vida e todas as coisas boas. Por isso, todos os humanos merecem condenação.
Como afirmamos antes, há dois grupos de humanos. Um grupo é caracterizado por confiar em Deus, concordar com seus termos, confessar que têm quebrado os termos, abandonar suas transgressões e procurar crer nas promessas de Deus, de modo que possam viver de acordo com os seus termos. O outro grupo rejeita Deus e seus termos, se recusa a admitir sua culpa, se recusa a abandonar o mal e se une ao inimigo.
Jesus mostrou por suas palavras e atos que era plenamente humano e plenamente Deus. Jesus nunca transgrediu os mandamentos de Deus. Ele resolveu o grave problema. Jesus se deu em favor de outros. Qualquer que se opõe a ele ou o rejeita está se opondo à bondade e ao amor e rejeitando-os. Qualquer que se opõe a ele e o rejeita merece condenação. Aqueles que o recebem e se unem a ele, fazem isso nos termos dele, que são os termos de Deus e envolvem confissão de pecado, arrependimento e confiança em Jesus.

Então, Como o Inferno Glorifica a Deus?
Como tudo isto nos ajuda a entender como o inferno glorifica a Deus?
Este mundo é a história de Deus. Ele falou e o trouxe à existência, e o mundo continua a existir porque Deus continua falando. O universo é sustentado pela palavra do poder de Deus. É a sua história. Ele é o Autor cujo ponto de vista é comunicado na Bíblia e cujas caracterizações definem os participantes no drama.
O inferno é um ato de Deus em cumprir sua Palavra. O fato de que Deus manda os ímpios para o inferno mostra que ele é fiel e justo. Se Deus não aplicasse os termos que ele mesmo estabeleceu, não cumpriria sua Palavra e seria infiel. Se Deus não enviasse os ímpios para o inferno, ele não manteria seu próprio padrão de justiça e não seria justo. Se Deus não punisse os rebeldes no inferno, os justos não seriam vindicados. De fato, se não houvesse realmente inferno, poderíamos concluir que os justos estavam errados por terem confiado em Deus.
No entanto, o inferno existe e os justos são sábios por confiar em Deus. O inferno mostra a glória da justiça de Deus. O inferno vindica aqueles que obedecem aos termos de Deus, ainda que sofram terrivelmente por fazerem isso. O inferno vindica os justos que foram perseguidos pelos ímpios. O inferno glorifica a Deus.
Você não concorda com isso? Pode muito bem se unir a Shere Khan em opor-se a Rudyard Kipling. Ou, de novo, poder ter tanta chance de mudar o enredo, o ponto de vista ou a definição dos personagens, quanto Sauron teve de mudar a mente de Tokien. Isso não acontecerá. Você é uma criatura na obra de arte do Criador. Aceite o fato. Ele é o Criador, não você. Quanto deveríamos levar a sério aqueles que se opõem ao inferno ou tentam reescrever a história para que o inferno não seja parte dela? Com tanta seriedade quanto tomamos Hamlet criticando a obra de Shakespeare. Hamlet não teve existência independente. Ele só poderia criticar Shakespeare se o autor decidisse escrever essa cena.

Deus criou um universo em que a sua misericórdia tem significado precisamente porque não anula a sua justiça. Para ser justo e demonstrar misericórdia, Deus tem que cumprir sua promessa de punir a transgressão. Na apresentação bíblica da verdadeira história do mundo, Deus mantém a justiça na cruz e no inferno. Jesus morreu na cruz para estabelecer a justiça de Deus e garantir que os que se arrependem do pecado e creem em Cristo recebam misericórdia que é também justa. Deus pune os ímpios no inferno para manter a justiça contra todos os que se recusam a arrepender-se do pecado e dar graças a ele.
Em resumo, o inferno glorifica a Deus porque:
· Mostra que Deus cumpre sua palavra;
· Mostra a infinita dignidade de Deus, a qual dura para sempre;
· Demonstra o poder de Deus em subjugar todos os que se rebelam contra ele;
· Mostra quão indizivelmente misericordioso ele é para com aqueles que confiam nele;
· Confirma a realidade do amor por trazer justiça contra aqueles que rejeitam a Deus, que é amor;
· Vindica todos os que sofreram por ouvir ou proclamar a verdade da Palavra de Deus;
· E mostra a enormidade do que Jesus realizou quando morreu para salvar, do inferno que mereciam, todos os que creriam nele. Se não houvesse o inferno, não haveria a necessidade da cruz.
Retirado de: Ministério Fiel - http://bit.ly/PpCUS6
Por: James M. Hamilton Jr. - é professor associado de Teologia Bíblica no Southern Baptist Theological Seminary, em Louisville (Kentucky). É também pastor de pregação da Kenwood Baptist Church e autor do livro God´s Glory in Salvation through Judgment: A Biblical Theology (Crossway, 2010).